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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Aprendi que meu coração não quer viver batendo devagar...


Não sei viver, não sei ser humano, não sei como viver dentro da alma triste que consome os meus prós na terra...

Não sei ser útil, mesmo sabendo ser prático, cotidiano e nítido. Amei e odiei como toda gente, mas pra toda gente, isso sempre foi normal e instintivo, pra mim sempre foi exceção, o espeto, o acaso, o óbvio.  Eu não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Eu não sei se eu sinto de mais ou de menos.

Só sei que a vida é de tão interessante que é a todos os instantes, a vida chega a doer, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de sair fora de todas as casas, de todas as órbitas, em ser selvagem, entre árvores e esquecimentos... O amor sempre foi o lugar da minha vida e das minhas grandes canções, mas eu tenho que confessar que aprendi, que meu coração não quer viver batendo devagar...

(Trecho falado em uma música da Myllena com participação da Isabella Taviani, um trecho adaptado de Passagem das Horas de Álvaro Campos, se não me engano, ao final, menciona uma música de Isabella, aos entendedores, é uma declaração... – Gostei e registrei!)




A música você pode ouvir ~~>  Ali - Trecho falado por volta dos três minutos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Do desejo...


Gosto dos gostos que a gente tem quando se lambe em desgoverno de desejo. Meus poros, teus poros se abrem_ gotículas de sal do nosso suor, nosso tempero emocional de urgências. Gosto das fantasias que nos governam e das travessuras entre os lençóis, das nossas loucas experiências. Dos torpedos pornográficos ao longo do dia, do nosso sol intenso, nossas tempestades, nossa ventania. Gosto do jeito fervoroso em que começamos o dia. Gosto das tuas habilidades de amante veterano e da doçura de menino febril e carente, gosto do meu pescoço entre os teus dentes. Gosto da tua voz ao telefone, ao pé do ouvido, na gravação daquele vídeo. Gosto de cada bobagem que nos faz rir, do papo cabeça antes de dormir, da poesia inaugurando o dia, gosto dessas nossas sintonias. Gosto do sexo no chuveiro, do sofá molhado, do olhar convidativo cheio de malícia. Gosto de adormecer e despertar com tuas carícias. Gosto dessa sacanagem cheia de ternura e afeto, dessa vadiagem, desse nosso amor indiscreto. Gosto de sentir teu hálito, de beber teu cheiro, de morder tua orelha. Gosto de saber que você gosta de gostar de mim assim: meio insana, um pouco insone, um tanto irritadiça, leal, fiel, facilmente excitável... Gosto de ser tua delícia.



(Marla de Queiroz)

[Encontrei enquanto lia  o blog dela, gostei e quis dividir...]

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sempre aprendendo


Tenho aprendido que grande parte daquilo em que juramos acreditar
pode ser somente crença alheia que a gente não passou a limpo.
Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a vida cantar.
Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos,
podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente nos importa.
Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém e isso não tem importância alguma.
Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho,
rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha significado para nós.
Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos falamos mais de nós do que do outro.
Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito.
Que o respeito é virtude das almas elegantes.
Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria humanidade.
Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos,
construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa.
Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor.
Que a carência se revela quando a autoestima está machucada.
Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de ingerir sozinhas.
Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.



(Ana Jácomo)

domingo, 9 de setembro de 2012

Sobre a renúncia


Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse.

Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a auto-imagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.

Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...

Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão: “Deus, obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”




(Marla de Queiroz)


[Texto que encontrei enquanto lia alguns posts antigos dela.. Como disse esses dias: Tem gente que não escreve, presenteia! Escritora fantástica e inspiradora.... ]

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ontem chorei


Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado.
Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto!


(Caio Fernando Abreu)



[Compartilhando.. Esse talvez seja bem conhecido, mas Caio Fernando nos descreve tão bem muitas vezes...]

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

COISAS QUE ME IRRITAM



Fofoca. Gente sem noção. Telefone. Gente que não tem nada a ver com a história. Falta de saúde. Falta de jeito. Falta de noção. Falta de pontualidade. Falta de atitude. Falta de humor! O síndico do prédio. Gente que fala “é noix”. Homem mudo por opção. Homem hetero que usa mais cremes que eu. Essa mania das pessoas falarem: já casou? Mulher que não tem personalidade, te imita em tudo e finge que é original. PIRIGUETE QUE CURTE TUDO QUE O CARA POSTA NO FACEBOOK. Homem que faz luzes no cabelo. Música ruim. Gente que acha que é muito amiga. Sentir ciúmes. Gente que só te pede favor (puta merda, caralho! Parem de pedir!). Heteros mais sensíveis que eu (vocês estão de sacanagem, né)? Gente com mania de grandeza (“ tenho um carro tal, relógio tal, caneta tal”... FODA-SE, vai escrever com Bic, seu deslumbrado!). Ex-namoradas do seu atual que nunca tiveram TPM (morram, vocês não são humanas!). Dizer “te adoro” e ouvir: “OK”. E, o pior de tudo: descobrir que essa lista ainda nem começou...




(Fernanda Mello)


[E pensar que essa lista só aumenta... ]

Um dia...



Um dia você vai encontrar o homem da sua vida. Seu melhor amigo, sua alma gêmea, aquele que você poderá contar seus sonhos. Ele vai tirar seu cabelo dos olhos. Te enviar flores quando você menos esperar. Ele vai ficar admirando você durante os filmes, mesmo que ele tenha pago 8 reais para assistir. Ele vai te ligar para dizer boa noite só porque ele sente sua falta. Ele vai olhar no fundo de seus olhos e dizer: Você é a garota mais bonita do mundo. E pela primeira vez em sua vida, você vai acreditar.

(Nicholas Sparks)




[Bonitinho, né? Quis compartilhar... Acho que no fundo, todos nós esperamos alguém assim... - Que eu não perca a fé e que a gente saiba se reconhecer....]

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Não pode tocar


Entro num museu, paro em frente a um quadro, a uma escultura, a uma cerâmica, e enxergo o aviso: não pode tocar. Não posso, então não toco, tudo bem. Não tocarei pra não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos. Nada de sentir a textura do material, nada de deixar minhas digitais impressas, nada de arranhar a tela com minhas unhas mal lixadas, de desgastar as cores com meus dedos imundos. Então a gente respeita, não chega muito perto, não atravessa a linha amarela, nada de macular a obra com nosso hálito quente e nosso olhar aproximado demais.

Assim é também entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre amigos que procuram se proteger: não se pode tocar em determinados assuntos.

Há questões que arriscam ser maculadas com palavras, que um olhar aproximado demais poderia danificar. Instaura-se sempre um silêncio de museu ao nos aproximarmos de temas perigosos. Tolera-se apenas o som da tevê, de um teclado de computador, de alguém falando ao telefone, ruídos parecidos com silêncio, já que não fazem barulho excessivo, não incomodam o suficiente. Palavras incomodam o suficiente. Vamos falar sobre o que nos aconteceu dez anos atrás. Vamos conversar sobre a morte do seu pai. Vamos tentar entender juntos a razão de você estar bebendo desse jeito. Me diz o que te perturbou na infância. Não, não quero tocar neste assunto.

Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um.

Todas as relações do mundo possuem sua prateleira de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir devagar e com cuidado. Para não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos.




(Martha Medeiros)

[Compartilho alguns textos de escritoras que gosto, esse é um presente...]

terça-feira, 24 de julho de 2012

O que você quer levar dessa vida?


Os ponteiros acusam: a hora escorre pelos dedos. A terra gira mais rápido. As folhinhas do calendário viram depressa demais. Quando percebemos, no meio do caos que nos rodeia, estamos no meio de um plano inacabado, com a ansiedade no colo (e uma lista interminável de insatisfação nas mãos). O resultado? Ansiedade! E uma aflição no peito que não nos deixa parar...

Queremos ser mais rápidos. Mais produtivos. Mais felizes. Mais jovens. Mais conectados. QUEREMOS SER MAIS SEMPRE.

A verdade é que não há nada de errado em se aperfeiçoar, muito menos em querer ser melhor.  A vontade vira problema quando nos tornamos vítimas da nossa própria pressa. E a ansiedade, ao invés de mola, se torna fardo diário na vida da gente. Estou errada? Creio que não.  Tudo ficou fast, gostando ou não do termo.  O novo se torna obsoleto em questão de meses.  Surgem versões atrás de versões, upgradesdiários, tanta novidade que a memória não consegue lembrar o número do nosso próprio telefone.

E a gente passa a vida correndo. Calculando. Somando. Tentando... Esquecendo que, no fundo, a vida é um grande clichê e as coisas que REALMENTE fazem diferença são muito simples.

Vejam meu próprio exemplo: há anos atrás, conheci um vendedor de picolé na praia, enquanto ele fazia seu habitual trajeto de venda. O dia estava lindo, o mar tinha uma cor verde-esmeralda incrível e ele perguntou, bem de repente, enquanto eu admirava a paisagem: menina, no fim, o que a gente leva dessa vida? Fiquei sem saber o que responder, afinal não estava preparada para uma pergunta daquelas. E ele mesmo se solucionou, com aquele ar de quem está apenas pensando alto: é, a gente só leva lembranças...

Pronto! Dez anos de terapias poupados. Não quero levar dessa vida uma lembrança que inclui cara feia, trânsito infernal, buzina, palavrão, correria e uma pressa desvairada. Não, não quero.  Não quero faltar aniversários, encontros com amigos, esquecer abraços, me faltar como pessoa por pura falta de tempo. Quero levar, como lembranças, todas as coisas simples que eu considero essenciais: amores. Risos. Beijos. Abraços. Alegrias. Realizações. Palavras. E aquele sentimento de que não vivemos e, sim, desfrutamos a vida. É. Para DESFRUTAR, não existe pressa. 




(Fernanda Mello)

[Daqueles presentes para refletir. Não me canso de ler os textos dela... Essa leveza com que constrói os textos, me encanta].

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Eu vou te esperar...


Eu fiz loucuras pra te encontrar
Fui paciente pra te esperar
Fui seu amigo pra te entender
Sempre disposto a te escutar
Me fiz mais forte para agüentar
Essa angustia de te esperar
Fiz palhaçadas pra te ver sorrir
Falei besteiras pra te alegrar
Eu virei noites pensando em você
E em uma maneira de explicar
Como isso tudo foi acontecer
Como por você fui me apaixonar

Tudo o que eu faço pensando em você
É só o meu jeito de te falar
Que não importa o tempo que for
Eu vou te esperar
Eu vou te esperar
Tudo o que eu faço pensando em você
Quem sabe assim você vá se tocar
Que é só você fazer acontecer
Eu vou te esperar
Eu vou te esperar

Me pus no seu lugar pra compreender
Mudei meus planos pra te acompanhar
Fiz absurdos pra te surpreender
Roubei estrelas pra te encantar
Criei desculpas pra poder te ver
Já tomei chuva só pra te abraçar
Me escondi pra não te ver sofrer
E quis morrer quando eu te vi chorar
E o nosso beijo faz enlouquecer
Que eu perco a hora ate perco o ar
É tão perfeito é tudo tão lindo
Parece que faz o tempo parar

Tudo o que eu faço pensando em você
É só o meu jeito de te falar
Que não importa o tempo que for
Eu vou te esperar
Eu vou te esperar
Tudo o que eu faço pensando em você
Que sabe assim você vá se tocar
Que não importa o tempo que for
Eu vou te esperar
Eu vou te esperar
Eu vou te esperar
Eu vou te esperar

Me arrisquei para não te perder
Abri meus braços pra me entregar
Eu não fiz nada pra esse amor nascer
Mais faço tudo pra não se acabar.



(Eu Vou Te Esperar - Cluster)

[Uma letra de  música que achei por acaso, achei bonitinha e quis compartilhar, me fez lembrar algumas coisas, cantada por uma banda chamada Cluster que desconhecia, a banda deixa um pouco a desejar, mas vale a letra...]

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Depois...



Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois

(Marisa Monte)



 [Porque tem música que é poesia.........]



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mulheres inteligentes e caras babacas



Toda mulher que se preza já se apaixonou por um babaca. A história é quase sempre a mesma, o final também. A gente conhece um cara, ele se mostra doce, maravilhoso e bem-resolvido. A gente – encantada – guarda a intuição no fundo da gaveta, veste o melhor decote (e o melhor sorriso) e sai linda, leve e solta para mais um capítulo cheio de frases mal-contadas, celular desligado e eventuais sumiços. Verdade seja dita: a gente sente que tem alguma coisa errada, mas acaba fazendo vista grossa. E acha que está sensível demais, exigente demais, desconfiada demais. E deixa rolar. O resultado? O cara te enrola, te pede desculpas. Depois vacila de novo e te enche de presentes. Meninas, estou escrevendo esse texto para eu mesma decorar. Imprimir. E nunca mais esquecer. A gente não pode sair por aí perdendo nosso tempo com esses babacas. Chega de desculpar tanto, de tampar o sol com a peneira. Quando um cara REALMENTE está afim de você, ele vai até o inferno por você. Essa verdade ninguém me tira. Não tem trabalho, família, futebol, amigos, crise existencial, nem celular sem bateria que façam com que ele – caso tenha educação e a mínima consideração – não tenha tempo de dizer um simples “oi”. Isso não é pedir muito, concorda? O cara não precisa dar satisfação a toda hora, te ligar várias vezes por dia, isso é chato e acaba com qualquer romance. O que eu quero dizer é que mulher precisa de carinho. Atenção. E uma sacanagem bem-dosada. Se o sujeito vive brincando de esconde-esconde, não responde lindamente suas mensagens, não te chama pra sair com os amigos dele e nem tenta te agarrar quando você diz que está com uma lingerie de matar por debaixo da roupa – minha amiga – o negócio está feio. Muito feio. Confesso que não é tarefa fácil colocar um ponto final de uma hora pra outra nessas histórias. Somos seres românticos, abduzidos pelos finais felizes dos filmes e livros. A gente sempre acha que alguma coisa vai mudar, que ele vai perceber TUDO o que está perdendo e vai aparecer com flores na porta da nossa casa. Mas a realidade é diferente. Não somos a Julia Roberts, não estamos numa comédia romântica e, na vida real, homens são simples e previsíveis. Quando eles querem uma coisa, não há nada – nem ninguém – que os impeça. Portanto, anotem aí: quando um cara está afim de você, ele vai te ligar, ele vai te procurar, ele vai te beijar, ele vai querer estar sempre com as mãos em cima de você. Não sou radical, apenas cansei de dar desculpas pra erros que não são meus. Ou são. Afinal um cara babaca sempre dá pistas de que é babaca. Só não enxerga, quem não quer.



(Fernanda Mello)




[Compartilho mais uma crônica digital dessa escritora fantástica, quantos homens babacas já não encontramos em nosso caminho, não é mesmo? Que Deus nos livre dos que não saibam amar e que saibamos reconhecer os dignos de serem amados... AMÉM!]


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Um bocado de pequenas coisas


Mergulhada no silêncio dos que se observam... Um filme, um livro, uma música, um acontecimento convencional que mexeu mais do que o normal e essas coisas de achar que eu não sou deste planeta, mas que apenas estou nele: eis a minha necessidade de aceitação. Mas sei também que pessoas são Universos e que eu, o sendo, tenho que cuidar para que esteja confortável nele, ou seja, em mim. Chorei quando estava triste, senti saudades fundas, dei gargalhadas de situações absolutamente normais, tive ideias “geniais”, abracei, fui acariciada, fiquei aninhada no amor, depois me enrosquei com a solitude... Fiz tudo o que quis e pude. E percebi cada um destes sentimentos e minhas reações a eles. Mas o que percebo, é que a alegria que mora em mim clama por vida, não somente pelo sossego; clama pelo dinamismo, pelas mudanças, pela sobriedade, pela esperança. O que há de irremediável não se cura com placebos. Se eu rejeito é porque não quero. Se eu recebo é porque já participa de algo aqui dentro. Minhas ambições são apenas estar com a roupa adequada para quando eu sumir nesta estrada, nunca sentir que minha intuição e o meu coração estão desagasalhados...




(Marla de Queiroz)

domingo, 25 de março de 2012

Encontros e Desencontros


(até quando você vai dar desculpas para os seus medos?)

Percebo que, hoje em dia, as pessoas estão muito exigentes em relação ao amor.  Qualquer passo em falso: Adeus!  Não aceitamos erros alheios. Não aceitamos qualidades no outro que, pra nós, sejam defeitos. Queremos que todos estejam conectados com nossas expectativas, que estão altíssimas e não param de crescer. O que nos é possível, não nos interessa. Almejamos o perfeito. O irreal. O ilusório. Queremos sempre o melhor, mesmo que o “melhor” não se adéque à nossa vida.
Vivemos – na verdade - na era da Intolerância. Do imediatismo.  Da falta de paciência. Seja com downloads lentos, celulares fora de serviço. Ou pessoas que não seguem o nosso ritmo.
No meio do caos,  esquecemos o essencial: para se relacionar, é preciso tempo.  Tolerância. E uma boa dose de bom senso. Não, pessoas não são descartáveis. Não existe manual, nem informações no rótulo.  Quer saber? Todo mundo tem lá seus “defeitos”. Mas, nessas horas, não existe “loja autorizada”, nem garantia. No máximo, uma terapia ou um bom ombro amigo pra se reajustar.
Agora, minha pergunta: porque andamos, assim, tão exigentes? Será culpa da tecnologia e sua crescente evolução? Será falta de auto-conhecimento e amor próprio? Será que, no fundo, temos medo de amar e nos autoboicotamos com situações que nunca vão dar em nada?
Pode ser um pouco de cada coisa. Outro dia, ouvi uma frase interessante de uma amiga: o dilema da mulher moderna é saber, ao certo, o que ela procura. Porque, se ela procurar, vai achar! Achei de uma sabedoria incrível. E pensei: ao dizer isso, sei que muita gente vai me criticar. Mas pense comigo: será que estou, de fato, errada?
Não, não vamos colocar a culpa no outro. Se as coisas não estão dando certo, temos grande responsabilidade sobre elas.  Não vamos começar nosso discurso manjado que queremos viver o amor, quando, na verdade, atraímos pessoas problemáticas, instáveis e avessas a compromisso. Se isso acontece uma vez ou outra, tudo bem. Do azar no amor, ninguém foge.
Mas se o padrão prevalece, então, está na hora revermos nossos conceitos. A gente acha o que – na verdade -  procura. Se encontramos pessoas (e amores) que só nos trazem infelicidade, angústia e ansiedade, o melhor a fazer é nos voltarmos para dentro. E repensarmos quem somos.  E o que realmente queremos.
Olha, eu não sou psicóloga, nem dona de nenhuma verdade. Adoro lugar comum, gosto de escrever sobre o que meu coração dita. Sei que ninguém gosta de aceitar suas culpas, muito menos admitir quando faz escolhas erradas. Mas, se estou aqui hoje, dando a cara à tapa, é porque descobri que me boicotei durante muitos anos. É, fugi do amor com medo de perder minha liberdade. Ou com medo de perceber que ter um relacionamento não traz garantia nenhuma de felicidade.  (Adeus sonhos de adolescente!).
Agora, eu vejo que viver o amor nada mais é do que conhecer a si mesmo profundamente e entender quem a gente é. E o que nos faz bem.
Portanto, antes de colocar a culpa da sua vida amorosa no outro. No destino. Em algum karma. Ou em qualquer lugar fora de você, PENSE BEM.
Nós encontramos FORA o que – na verdade – MORA AQUI DENTRO.

(Fernanda Mello)



[Compartilho com vocês mais uma crônica da escritora Fernanda Mello, uma escritora incrível, com uma grande sensibilidade que me encanta e emociona sempre que leio.]

domingo, 18 de março de 2012

Confissões no espaço vazio



Era uma vez
Uma menina-mulher independente que percebeu
Que em sua vida faltava alguma coisa.
Ela estava cansada de beijos sem sentimento, carícias sem motivo
Sexo sem compromisso...
Ela sabia que estava sofrendo por isso
Mas esperava insistentemente que o príncipe encantado viesse salvá-la.
Um dia perguntei a ela
"Como é esse seu príncipe encantado?"
Eis o que ela me respondeu:
"Ele não deve existir....
ou, se existir, deve estar muito longe de mim...
Imagino que seja um homem maduro, inteligente, divertido
Que saiba me tratar como eu mereço
Que me sacie com carinhos, beijos e muito amor
Que acompanhe meu ritmo noite e dia
Que entenda de poesia e possa fazer nas horas mais inusitadas
E que seja ousado... "
Diante dessa confissão, me questionei
Se a princesa estaria sendo exigente demais
Ou se realmente esse príncipe existe....
Ela continua procurando!



(Ana Carolina)


(Texto encontrado por acaso da cantora Ana Carolina - Já tem um tempinho que não posto estes textos/reflexões, quis compartilhar)

domingo, 22 de janeiro de 2012

Amar é Punk





Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo foda. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido. Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrão. Amor é reconstrução.É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio! Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.



(Compartilho mais uma crônica desta escritora fantástica... Fernanda Mello.. é lindo.. e.. concordo.. AMAR É PUNK!)