Sejam bem vindos a este espaço... A ideia do blog é poder fazer algumas reflexões sobre o universo feminino ou talvez (e na maioria das vezes) sobre o meu universo.
Não sei viver, não
sei ser humano, não sei como viver dentro da alma triste que consome os meus prós na terra...
Não sei ser útil,
mesmo sabendo ser prático, cotidiano e nítido. Amei e odiei como toda gente,
mas pra toda gente, isso sempre foi normal e instintivo, pra mim sempre foi
exceção, o espeto, o acaso, o óbvio. Eu não sei se a vida é pouco ou
demais para mim. Eu não sei se eu sinto de mais ou de menos.
Só sei que a vida é
de tão interessante que é a todos os instantes, a vida chega a doer, a roçar,
a ranger, a dar vontade de dar pulos, de sair fora de todas as casas, de todas
as órbitas, em ser selvagem, entre árvores e esquecimentos... O amor sempre foi
o lugar da minha vida e das minhas grandes canções, mas eu tenho que confessar
que aprendi, que meu coração não quer viver batendo devagar...
(Trecho falado em uma
música da Myllena com participação da Isabella Taviani, um trecho adaptado de
Passagem das Horas de Álvaro Campos, se não me engano, ao final, menciona uma
música de Isabella, aos entendedores, é uma declaração... – Gostei e
registrei!)
A
música você pode ouvir ~~>Ali - Trecho
falado por volta dos três minutos.
Gosto
dos gostos que a gente tem quando se lambe em desgoverno de desejo. Meus poros,
teus poros se abrem_ gotículas de sal do nosso suor, nosso tempero emocional de
urgências. Gosto das fantasias que nos governam e das travessuras entre os
lençóis, das nossas loucas experiências. Dos torpedos pornográficos ao longo do
dia, do nosso sol intenso, nossas tempestades, nossa ventania. Gosto do jeito
fervoroso em que começamos o dia. Gosto das tuas habilidades de amante veterano
e da doçura de menino febril e carente, gosto do meu pescoço entre os teus
dentes. Gosto da tua voz ao telefone, ao pé do ouvido, na gravação daquele
vídeo. Gosto de cada bobagem que nos faz rir, do papo cabeça antes de dormir,
da poesia inaugurando o dia, gosto dessas nossas sintonias. Gosto do sexo no
chuveiro, do sofá molhado, do olhar convidativo cheio de malícia. Gosto de
adormecer e despertar com tuas carícias. Gosto dessa sacanagem cheia de ternura
e afeto, dessa vadiagem, desse nosso amor indiscreto. Gosto de sentir teu
hálito, de beber teu cheiro, de morder tua orelha. Gosto de saber que você
gosta de gostar de mim assim: meio insana, um pouco insone, um tanto
irritadiça, leal, fiel, facilmente excitável... Gosto de ser tua delícia.
(Marla
de Queiroz)
[Encontrei enquanto lia o blog dela, gostei e quis dividir...]
Tenho aprendido que grande parte daquilo em que juramos acreditar
pode ser somente crença alheia que a gente não passou a limpo.
Que pode haver algum conforto no acordo tácito da hipocrisia, mas ele não faz a
vida cantar.
Que se não tivermos um olhar atento e generoso para os nossos sentimentos,
podemos passar uma jornada inteira sem entrar em contato com o que realmente
nos importa.
Que aquilo que, de fato, nos importa, pode não importar a mais ninguém e isso
não tem importância alguma.
Que enquanto não nos conhecermos pelo menos um pouquinho,
rabiscaremos cadernos e cadernos sem escrever coisa alguma que tenha
significado para nós.
Tenho aprendido com o tempo que quando julgamos falamos mais de nós do que do
outro.
Que a maledicência acontece quando o coração está com mau hálito.
Que o respeito é virtude das almas elegantes.
Que a empatia nasce do contato íntimo com as nuances da nossa própria
humanidade.
Que entre o que o outro diz e o que ouvimos existem pontes ou abismos,
construídos ou cavados pela história que é dele e pela história que é nossa.
Que o egoísmo fala quando o medo abafa a voz do amor.
Que a carência se revela quando a autoestima está machucada.
Que a culpa é um veneno corrosivo que geralmente as pessoas não gostam de
ingerir sozinhas.
Que a sala de aula é a experiência particular e intransferível de cada um.
Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do
coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda
equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É
como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de
repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um
caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo
leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência
e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é
de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se
que nunca mais o choro cesse.
Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado:
muda-se a auto-imagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um
tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna
aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias.
Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se
faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença,
um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que
já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais
grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são
positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você
aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas...
Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão: “Deus,
obrigada, porque é noite e eu tenho o sono... Que venha um sonho novo, então.”
(Marla de Queiroz)
[Texto que encontrei enquanto lia alguns posts antigos dela.. Como disse esses dias: Tem gente que não escreve, presenteia! Escritora fantástica e inspiradora.... ]
Por tudo que fomos. Por tudo o que
não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que
queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros
cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei
pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz
não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado.
Pelo amor perdido. Pelo respeito
empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas
envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados.
Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E
não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés
na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto!
(Caio Fernando Abreu)
[Compartilhando.. Esse talvez seja bem conhecido, mas Caio Fernando nos descreve tão bem muitas vezes...]
Fofoca. Gente sem noção. Telefone. Gente que não tem nada a ver com a história.
Falta de saúde. Falta de jeito. Falta de noção. Falta de pontualidade. Falta de
atitude. Falta de humor! O síndico do prédio. Gente que fala “é noix”. Homem
mudo por opção. Homem hetero que usa mais cremes que eu. Essa mania das pessoas
falarem: já casou? Mulher que não tem personalidade, te imita em tudo e finge
que é original. PIRIGUETE QUE CURTE TUDO QUE O CARA POSTA NO FACEBOOK. Homem
que faz luzes no cabelo. Música ruim. Gente que acha que é muito amiga. Sentir
ciúmes. Gente que só te pede favor (puta merda, caralho! Parem de pedir!).
Heteros mais sensíveis que eu (vocês estão de sacanagem, né)? Gente com mania
de grandeza (“ tenho um carro tal, relógio tal, caneta tal”... FODA-SE, vai
escrever com Bic, seu deslumbrado!). Ex-namoradas do seu atual que nunca
tiveram TPM (morram, vocês não são humanas!). Dizer “te adoro” e ouvir: “OK”.
E, o pior de tudo: descobrir que essa lista ainda nem começou...
Um dia você vai encontrar o homem
da sua vida. Seu melhor amigo, sua alma gêmea, aquele que você poderá contar
seus sonhos. Ele vai tirar seu cabelo dos olhos. Te enviar flores quando você
menos esperar. Ele vai ficar admirando você durante os filmes, mesmo que ele
tenha pago 8 reais para assistir. Ele vai te ligar para dizer boa noite só
porque ele sente sua falta. Ele vai olhar no fundo de seus olhos e dizer: Você
é a garota mais bonita do mundo. E pela primeira vez em sua vida, você vai
acreditar.
(Nicholas Sparks)
[Bonitinho, né? Quis compartilhar... Acho que no fundo, todos nós esperamos alguém assim... - Que eu não perca a fé e que a gente saiba se reconhecer....]
Entro num museu, paro em frente a
um quadro, a uma escultura, a uma cerâmica, e enxergo o aviso: não pode tocar.
Não posso, então não toco, tudo bem. Não tocarei pra não estragar, pra não
quebrar, pra durar por muitos séculos. Nada de sentir a textura do material,
nada de deixar minhas digitais impressas, nada de arranhar a tela com minhas
unhas mal lixadas, de desgastar as cores com meus dedos imundos. Então a gente
respeita, não chega muito perto, não atravessa a linha amarela, nada de macular
a obra com nosso hálito quente e nosso olhar aproximado demais.
Assim é também entre homens e
mulheres, entre pais e filhos, entre amigos que procuram se proteger: não se
pode tocar em determinados assuntos.
Há questões que arriscam ser
maculadas com palavras, que um olhar aproximado demais poderia danificar.
Instaura-se sempre um silêncio de museu ao nos aproximarmos de temas perigosos.
Tolera-se apenas o som da tevê, de um teclado de computador, de alguém falando
ao telefone, ruídos parecidos com silêncio, já que não fazem barulho excessivo,
não incomodam o suficiente. Palavras incomodam o suficiente. Vamos falar sobre
o que nos aconteceu dez anos atrás. Vamos conversar sobre a morte do seu pai.
Vamos tentar entender juntos a razão de você estar bebendo desse jeito. Me diz
o que te perturbou na infância. Não, não quero tocar neste assunto.
Mantenha-se atrás da faixa amarela,
não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus
mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido
tocar no sagrado de cada um.
Todas as relações do mundo possuem
sua prateleira de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar
pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir
devagar e com cuidado. Para não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos
séculos.
(Martha Medeiros)
[Compartilho alguns textos de escritoras que gosto, esse é um presente...]
Os ponteiros
acusam: a hora escorre pelos dedos. A terra gira mais rápido. As folhinhas do
calendário viram depressa demais. Quando percebemos, no meio do caos que nos
rodeia, estamos no meio de um plano inacabado, com a ansiedade no colo (e uma
lista interminável de insatisfação nas mãos). O resultado? Ansiedade! E uma
aflição no peito que não nos deixa parar...
Queremos ser mais
rápidos. Mais produtivos. Mais felizes. Mais jovens. Mais conectados. QUEREMOS
SER MAIS SEMPRE.
A verdade é que não
há nada de errado em se aperfeiçoar, muito menos em querer ser melhor. A
vontade vira problema quando nos tornamos vítimas da nossa própria pressa. E a
ansiedade, ao invés de mola, se torna fardo diário na vida da gente. Estou
errada? Creio que não. Tudo ficou fast, gostando ou não
do termo. O novo se torna obsoleto em questão de meses. Surgem
versões atrás de versões, upgradesdiários, tanta novidade que a
memória não consegue lembrar o número do nosso próprio telefone.
E a gente passa a
vida correndo. Calculando. Somando. Tentando... Esquecendo que, no fundo, a
vida é um grande clichê e as coisas que REALMENTE fazem diferença são muito
simples.
Vejam meu próprio
exemplo: há anos atrás, conheci um vendedor de picolé na praia, enquanto ele
fazia seu habitual trajeto de venda. O dia estava lindo, o mar tinha uma cor
verde-esmeralda incrível e ele perguntou, bem de repente, enquanto eu admirava
a paisagem: menina, no fim, o que a gente leva dessa vida? Fiquei sem saber o
que responder, afinal não estava preparada para uma pergunta daquelas. E ele
mesmo se solucionou, com aquele ar de quem está apenas pensando alto: é, a
gente só leva lembranças...
Pronto! Dez anos de
terapias poupados. Não quero levar dessa vida uma lembrança que inclui cara
feia, trânsito infernal, buzina, palavrão, correria e uma pressa desvairada.
Não, não quero. Não quero faltar aniversários, encontros com amigos,
esquecer abraços, me faltar como pessoa por pura falta de tempo. Quero levar,
como lembranças, todas as coisas simples que eu considero essenciais: amores.
Risos. Beijos. Abraços. Alegrias. Realizações. Palavras. E aquele sentimento de
que não vivemos e, sim, desfrutamos a vida. É. Para DESFRUTAR, não existe
pressa.
(Fernanda Mello)
[Daqueles presentes para refletir. Não me canso de ler os textos dela... Essa leveza com que constrói os textos, me encanta].
Eu
fiz loucuras pra te encontrar Fui paciente pra te
esperar Fui seu amigo pra
te entender Sempre disposto a
te escutar Me fiz mais forte
para agüentar Essa angustia de te
esperar Fiz palhaçadas pra
te ver sorrir Falei besteiras pra
te alegrar Eu virei noites
pensando em você E em uma maneira de
explicar Como isso tudo foi
acontecer Como por você fui
me apaixonar
Tudo o que eu faço
pensando em você É só o meu jeito de
te falar Que não importa o
tempo que for Eu vou te esperar Eu vou te esperar Tudo o que eu faço
pensando em você Quem sabe assim
você vá se tocar Que é só você fazer
acontecer Eu vou te esperar Eu vou te esperar
Me pus no seu lugar
pra compreender Mudei meus planos
pra te acompanhar Fiz absurdos pra te
surpreender Roubei estrelas pra
te encantar Criei desculpas pra
poder te ver Já tomei chuva só
pra te abraçar Me escondi pra não
te ver sofrer E quis morrer
quando eu te vi chorar E o nosso beijo faz
enlouquecer Que eu perco a hora
ate perco o ar É tão perfeito é
tudo tão lindo Parece que faz o
tempo parar
Tudo o que eu faço
pensando em você É só o meu jeito de
te falar Que não importa o
tempo que for Eu vou te esperar Eu vou te esperar Tudo o que eu faço
pensando em você Que sabe assim você
vá se tocar Que não importa o
tempo que for Eu vou te esperar Eu vou te esperar Eu vou te esperar Eu vou te esperar
Me arrisquei para
não te perder Abri meus braços
pra me entregar Eu não fiz nada pra
esse amor nascer Mais faço tudo pra
não se acabar.
(Eu Vou Te Esperar - Cluster)
[Uma letra de música que achei por acaso, achei bonitinha e quis compartilhar, me fez lembrar algumas coisas, cantada por uma banda chamada Cluster que desconhecia, a banda deixa um pouco a desejar, mas vale a letra...]
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Toda
mulher que se preza já se apaixonou por um babaca. A história é quase sempre a
mesma, o final também. A gente conhece um cara, ele se mostra doce, maravilhoso
e bem-resolvido. A gente – encantada – guarda a intuição no fundo da gaveta,
veste o melhor decote (e o melhor sorriso) e sai linda, leve e solta para mais
um capítulo cheio de frases mal-contadas, celular desligado e eventuais
sumiços. Verdade seja dita: a gente sente que tem alguma coisa errada, mas
acaba fazendo vista grossa. E acha que está sensível demais, exigente demais,
desconfiada demais. E deixa rolar. O resultado? O cara te enrola, te pede
desculpas. Depois vacila de novo e te enche de presentes. Meninas, estou
escrevendo esse texto para eu mesma decorar. Imprimir. E nunca mais esquecer. A
gente não pode sair por aí perdendo nosso tempo com esses babacas. Chega de
desculpar tanto, de tampar o sol com a peneira. Quando um cara REALMENTE está
afim de você, ele vai até o inferno por você. Essa verdade ninguém me tira. Não
tem trabalho, família, futebol, amigos, crise existencial, nem celular sem
bateria que façam com que ele – caso tenha educação e a mínima consideração –
não tenha tempo de dizer um simples “oi”. Isso não é pedir muito, concorda? O
cara não precisa dar satisfação a toda hora, te ligar várias vezes por dia,
isso é chato e acaba com qualquer romance. O que eu quero dizer é que mulher
precisa de carinho. Atenção. E uma sacanagem bem-dosada. Se o sujeito vive
brincando de esconde-esconde, não responde lindamente suas mensagens, não te
chama pra sair com os amigos dele e nem tenta te agarrar quando você diz que
está com uma lingerie de matar por debaixo da roupa – minha amiga – o negócio
está feio. Muito feio. Confesso que não é tarefa fácil colocar um ponto final
de uma hora pra outra nessas histórias. Somos seres românticos, abduzidos pelos
finais felizes dos filmes e livros. A gente sempre acha que alguma coisa vai
mudar, que ele vai perceber TUDO o que está perdendo e vai aparecer com flores
na porta da nossa casa. Mas a realidade é diferente. Não somos a Julia Roberts,
não estamos numa comédia romântica e, na vida real, homens são simples e
previsíveis. Quando eles querem uma coisa, não há nada – nem ninguém – que os
impeça. Portanto, anotem aí: quando um cara está afim de você, ele vai te
ligar, ele vai te procurar, ele vai te beijar, ele vai querer estar sempre com
as mãos em cima de você. Não sou radical, apenas cansei de dar desculpas pra
erros que não são meus. Ou são. Afinal um cara babaca sempre dá pistas de que é
babaca. Só não enxerga, quem não quer.
(Fernanda Mello)
[Compartilho mais uma crônica
digital dessa escritora fantástica, quantos homens babacas já não encontramos
em nosso caminho, não é mesmo? Que Deus nos livre dos que não saibam amar e que
saibamos reconhecer os dignos de serem amados... AMÉM!]
Mergulhada no silêncio dos que se observam... Um filme, um livro, uma
música, um acontecimento convencional que mexeu mais do que o normal e essas
coisas de achar que eu não sou deste planeta, mas que apenas estou nele: eis a
minha necessidade de aceitação. Mas sei também que pessoas são Universos e que
eu, o sendo, tenho que cuidar para que esteja confortável nele, ou seja, em
mim. Chorei quando estava triste, senti saudades fundas, dei gargalhadas de
situações absolutamente normais, tive ideias “geniais”, abracei, fui
acariciada, fiquei aninhada no amor, depois me enrosquei com a solitude... Fiz
tudo o que quis e pude. E percebi cada um destes sentimentos e minhas reações a
eles. Mas o que percebo, é que a alegria que mora em mim clama por vida, não
somente pelo sossego; clama pelo dinamismo, pelas mudanças, pela sobriedade,
pela esperança. O que há de irremediável não se cura com placebos. Se eu
rejeito é porque não quero. Se eu recebo é porque já participa de algo aqui
dentro. Minhas ambições são apenas estar com a roupa adequada para quando eu
sumir nesta estrada, nunca sentir que minha intuição e o meu coração estão
desagasalhados...
(até quando você vai dar desculpas para os seus medos?)
Percebo que, hoje em dia, as pessoas estão muito exigentes em relação ao amor. Qualquer passo em falso: Adeus! Não aceitamos erros alheios. Não aceitamos qualidades no outro que, pra nós, sejam defeitos. Queremos que todos estejam conectados com nossas expectativas, que estão altíssimas e não param de crescer. O que nos é possível, não nos interessa. Almejamos o perfeito. O irreal. O ilusório. Queremos sempre o melhor, mesmo que o “melhor” não se adéque à nossa vida.
Vivemos – na verdade - na era da Intolerância. Do imediatismo. Da falta de paciência. Seja com downloads lentos, celulares fora de serviço. Ou pessoas que não seguem o nosso ritmo.
No meio do caos, esquecemos o essencial: para se relacionar, é preciso tempo. Tolerância. E uma boa dose de bom senso. Não, pessoas não são descartáveis. Não existe manual, nem informações no rótulo. Quer saber? Todo mundo tem lá seus “defeitos”. Mas, nessas horas, não existe “loja autorizada”, nem garantia. No máximo, uma terapia ou um bom ombro amigo pra se reajustar.
Agora, minha pergunta: porque andamos, assim, tão exigentes? Será culpa da tecnologia e sua crescente evolução? Será falta de auto-conhecimento e amor próprio? Será que, no fundo, temos medo de amar e nos autoboicotamos com situações que nunca vão dar em nada?
Pode ser um pouco de cada coisa. Outro dia, ouvi uma frase interessante de uma amiga: odilema da mulher moderna é saber, ao certo, o que ela procura. Porque, se ela procurar, vai achar! Achei de uma sabedoria incrível. E pensei: ao dizer isso, sei que muita gente vai me criticar. Mas pense comigo: será que estou, de fato, errada?
Não, não vamos colocar a culpa no outro. Se as coisas não estão dando certo, temos grande responsabilidade sobre elas. Não vamos começar nosso discurso manjado que queremos viver o amor, quando, na verdade, atraímos pessoas problemáticas, instáveis e avessas a compromisso. Se isso acontece uma vez ou outra, tudo bem. Do azar no amor, ninguém foge.
Mas se o padrão prevalece, então, está na hora revermos nossos conceitos. A gente acha o que – na verdade - procura. Se encontramos pessoas (e amores) que só nos trazem infelicidade, angústia e ansiedade, o melhor a fazer é nos voltarmos para dentro. E repensarmos quem somos. E o que realmente queremos.
Olha, eu não sou psicóloga, nem dona de nenhuma verdade. Adoro lugar comum, gosto de escrever sobre o que meu coração dita. Sei que ninguém gosta de aceitar suas culpas, muito menos admitir quando faz escolhas erradas. Mas, se estou aqui hoje, dando a cara à tapa, é porque descobri que me boicotei durante muitos anos. É, fugi do amor com medo de perder minha liberdade. Ou com medo de perceber que ter um relacionamento não traz garantia nenhuma de felicidade. (Adeus sonhos de adolescente!).
Agora, eu vejo que viver o amor nada mais é do que conhecer a si mesmo profundamente e entender quem a gente é. E o que nos faz bem.
Portanto, antes de colocar a culpa da sua vida amorosa no outro. No destino. Em algum karma. Ou em qualquer lugar fora de você, PENSE BEM.
Nós encontramos FORA o que – na verdade – MORA AQUI DENTRO.
(Fernanda Mello)
[Compartilho com vocês mais uma crônica da escritora Fernanda Mello, uma escritora incrível, com uma grande sensibilidade que me encanta e emociona sempre que leio.]
Era uma vez
Uma menina-mulher independente que percebeu
Que em sua vida faltava alguma coisa.
Ela estava cansada de beijos sem sentimento, carícias sem motivo
Sexo sem compromisso...
Ela sabia que estava sofrendo por isso
Mas esperava insistentemente que o príncipe encantado viesse salvá-la.
Um dia perguntei a ela
"Como é esse seu príncipe encantado?"
Eis o que ela me respondeu:
"Ele não deve existir....
ou, se existir, deve estar muito longe de mim...
Imagino que seja um homem maduro, inteligente, divertido
Que saiba me tratar como eu mereço
Que me sacie com carinhos, beijos e muito amor
Que acompanhe meu ritmo noite e dia
Que entenda de poesia e possa fazer nas horas mais inusitadas
E que seja ousado... "
Diante dessa confissão, me questionei
Se a princesa estaria sendo exigente demais
Ou se realmente esse príncipe existe....
Ela continua procurando!
(Ana Carolina)
(Texto encontrado por acaso da cantora Ana Carolina - Já tem um tempinho que não posto estes textos/reflexões, quis compartilhar)
Eu já passei da idade de ter um tipo físico de homem ideal para eu me relacionar. Antes, só se fosse estranho (bem estranho). Tivesse um figurino perturbado. Gostasse de rock mais que tudo. Tivesse no mínimo um piercing (e uma tatuagem gigante). Soubesse tocar algum instrumento. E usasse All Star. Uma coisa meio Dave Grohl. Hoje em dia eu continuo insistindo no quesito All Star e rock´n roll, mas confesso que muita coisa mudou. É, pessoal, não tem jeito. Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo foda. E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré. (E escrevendo textos no blog para que ele entenda uma coisa: dessa vez, meu caro, é diferente). Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez. Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas. Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, caramba! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade. Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido. Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrão. Amor é reconstrução.É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios. Demorei anos pra concordar com meu querido Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio! Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.
(Compartilho mais uma crônica desta escritora fantástica... Fernanda Mello.. é lindo.. e.. concordo.. AMAR É PUNK!)